domingo, 23 de outubro de 2011

coadjuvante

ela não se decepcionava
e convenhamos que a maior parte dos sofrimentos vem da decepção.
seja qual for o âmbito da vida.

ela parecia entender tudo.
ao conversar com ela você não esperava acrescentar-lhe nada
tudo ela entendia e debatia
sempre tinha uma resposta incontestável
e parecia ter vivido tudo que tem pra viver
e sentido tudo que era sentimento

quando perguntei-lhe quantos amores ela teve que sentir
e quantas decepções teve que viver pra ficar assim tão forte e imbatível
ela me respondeu que os conhecia muito bem para passar por eles

perguntei-lhe abismada como ela conseguia
ela não me respondeu


tinha secado.
secado antes de viver tudo.
secado por ser coadjuvante o tempo todo.

já faz tempo que a vi

faz tempo que se perdeu.

sábado, 22 de outubro de 2011

é que às vezes eu me perco
fico me procurando
e me acho.

mas dessa vez tá diferente.
e se..
dessa vez eu...
e se dessa vez...

eu..

deixar pra lá?

domingo, 14 de agosto de 2011

mulherdeverdade


Recife, 14 de agosto de 2011

Amélia,

eu queria dizer-te mil coisas, justificar-me, tentar explicar de alguma forma tudo isso aqui.
eu sei que é tarde, mas me doeu muito te ver feliz.
é egoísmo (sabes que desse defeito não me desgarro), eu sei!
mas é que...era pra ser eu, sabe?
eu sei que vais me dizer que a culpa foi minha e que sempre tu estavas me esperando e aguentando tudo tudo tudo!
eu sei.
mas porra, a gente é mais que isso.
por mais que tentemos, acho que vai ser difícil que a gente suma um da vida do outro.
eu não quero me demorar com as palavras..tenho tentado diminuí-las.
eu só tenho um pedido a te fazer:

volta pra mim!

para sempre teu,
francisco



Recife, 18 de agosto de 2011

Chico,

se tentas diminuir as palavras da tua vida, digo-te que estou na mesma tentativa e tenho obtido sucesso.
não se volta para onde nunca se foi.

e não se usa 'para sempres' hoje em dia,
amélia

terça-feira, 7 de junho de 2011

aceita(ação)

e sabe de uma coisa?
mesmo que pareça, mesmo que eu até às vezes esqueça
não é na superfície que estamos
é só em um fundo um pouco diferente do de todo mundo
suspenso...
morto
vivo
morto...

(superfície tira o real! "real, embora invisível")

terça-feira, 24 de maio de 2011

não.

'um fundo desprezo pela minha dor mediana!
pela minha rejeição amorosa desempenhando papéis tipo sou-forte-seguro-essa-sou-mais-eu.
depois do não, depois do fim - reduzir-se a duas ou três frases frias ou sarcásticas.

ai que dor: que dor sentida e portuguesa de Fernando Pessoa - muito mais sábio -, que nunca caiu nessas ciladas.
pois como já dizia Drummond, "o amor car(o,a,) colega esse não consola nunca de núncaras".
e apesar de tudo eu penso sim, eu digo sim, eu quero Sins.'

caiof

discordo do fim
e apesar de tudo eu penso não, eu digo não, eu quero Sins.

mas digo penso peço quero grito: não. (vvvvvvvvvvvvvvvvelocidade)

aicoração.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

ordenei-me quieta

a expressão tem trazido prejuízos
o silêncio deve falar mais alto.
é interessante que se cale.

(ouço de forma bem mais rude)

é bom que rezem para que não seja eterno.
tenho a impressão de estar sendo meio definitiva às vezes

impor a si é meio doloroso


ai


"nós que guardamos o grito em segredo inviolável"

segunda-feira, 2 de maio de 2011

huum.

e todo aquele papo, todos aqueles toques, todos aqueles climas, todas aquelas cenas, tudo aquilo na noite feito um movimento vindo de fora para despertar o vivo de dentro, o vivo quieto, à espera apenas daquele justo toque exato..

e dessa vez não houve erro!

urfa.

sábado, 2 de abril de 2011

inutilia

tenho evitado mudanças drásticas
cortes profundos
rompimentos eternos
tudo que possa ferir imediata ou mediatamente

evitei por muito tempo..
tentei cortar pouco
romper menos
mudar quase nada a cada dia
um pouquinho imperceptível

cessou, cansou
cessei, cansei
vou surpreendentemente
profundamente
amargamente
assustadoramente
insensivelmente (pesadamente)
inutilia truncat

adiós, inutilidades!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

pesa uma tonelada.

o soluço como trilha sonora!

na 'hora da calma', ' do descanso'
ele vem.
ouço de longe, inicialmente
e vai se aproximando
entra dentro de mim
e escorre pelos meus olhos

o soluço que ouço - repito.
que não me pertence
se torna meu

o desequilíbrio dá nisso.

o desequilíbrio de sempre
o soluço de sempre
a dor de sempre

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

vvvvvvvelocidade

raramente nos falamos
mais raramente ainda nos olhamos
ficou só aquela vibração de silêncio, muito forte

e eu tenho certeza que não é saudade.

dói como se fosse.

em segredo - como sempre - .

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

auto-destruição?

às vezes dá vontade de desistir de tudo, não sair mais de casa, dormir e dormir.
acabo sempre acordando cedo no dia seguinte, continuando tudo da mesma forma

na verdade não sei bem pra quê..

caiof.