quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

04/06/2013 ~ felizanovelho

ela optou por se entregar

fica menos doloroso dessa forma

'opção'


pois, como dito, ela se entregou

botou a culpa no acaso
no inferno astral
nos dias infernais e com pouco astral
na falta de vontade de chupar o gosto dia


adentrou numa espécie de perseguição consigo mesma

a culpa era designada aos dias

a culpa só podia ser dos dias


que de repente eram compostos apenas por noites

e como ela tentava iluminar

fazia passeios imprevisíveis
desfrutava o sabor salgado da água
sentia os cheiros com mais intensidade




e depois

escurecia,


talvez pela falta de música.

decidiu aceitar a ordem natural das coisas
sabe-se la que ordem e sabe-se lá que coisas

tinha de ser natural

num é assim que se aconselha?

deve ser dessa forma que se passa o otimismo para outrem

pois bem,


aceitou com artificialidade o natural

mas, naturalmente, decidiu ler contos antigos
textos antigos
sensações nostálgicas




deitada com a noite

ouviu um piano


e percebeu que já era dia.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

(há)falta

~as faltas de ar não passaram~

de início achou que era a falta
a ausência
as inconstâncias

mas ai veio a presença ~prometida~
constante
rotineira
habitual

e o ar ainda falta
dessa vez na tua presença

quando sai um pouco do esperado
quando teu olhar se perde numa comunicação nova
quando a intensidade se confunde com costume
quando o beijo não mais inunda

quando teu olhar encontra qualquer outro
ela sente que ele também te é familiar
como o dela

que aquele encontro
também é rotineiro/constante/habitual
como o dela

que vocês não mais são "nós"

que nunca foram

ainda (há) falta
muito
ar
-na tua
presença-



quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

in(deed)

dessa vez ela não acha mais que é drama

reordena as ideias
enumera os prós
as intuições
a lua
o sol


não que ela esteja sã
faz tempo que as sinapses não ocorrem da melhor forma
o coração aperta com facilidade
as extremidades congelam quando algo sai do previsto

mas ela pensa
o tempo todo


remoe
revive
reprograma

de uns tempos pra cá ela tem tido medo de se perder
de esquecer o que importa
o que faz bem

e decidiu que seria assim (de novo)

só o que faz bem fica

sem desespero
sem dor

ninguém nunca que pode ocupar todos os sentidos

mas se eles importam
são eles que ficam

e confirma o previsto:

primeiro os sentidos
todos
ocupados
e acolhidos

depois
o resto

primeiro in
depois out

quarta-feira, 15 de junho de 2016

chão


dia desses decidiu: as ambições são superestimadas
admirava os de vida tranquila
com pouco dinheiro
com muito prazer

admirava os de razão serena
os de motivo ar
os que acordam pela beleza do sol
pra admirar o céu
pra ver o dia passar na calçada

admirava, com prazer, as pessoas de vida simples
a moça ar do emprego na livraria
que tinha o que precisava
fazia o que queria

talvez ela não possa viajar pra europa
ou ir passear pelo rio de janeiro nas férias

mas pensando bem
a moça de vida chão, também não

a vida dela é assim:
corre contra o tempo o tempo todo
acorda pra cumprir ordens
dorme cedo pra cumprir os planos do dia seguinte
vive a segunda, planejando a quinta
no domingo já sofre pela terça

e na sexta?
dorme cedo porque os planos do sábado estão a todo fogo

quanto mais evoluem os planos, quanto mais se concretizam
menos amor ela sente
com menos vontade ela vive

ela não se decepcionava
ela sofria desde o começo, pra na hora da decepção tá calejada e já nem sentir
ela sofre o tempo todo achando que, assim, vai doer menos no fim
não sabe ela
que assim
ela só doi
ela só vai

ela já foi.