terça-feira, 19 de junho de 2018

ah partia?

logo eu
que nem sei mais o que sei
o que sinto
o que sou

logo eu
que nem nomes consigo dar
nem controles consigo ter

te encho de palavras
fortes
como se ferir
resolvesse 
as dúvidas todas e
as dores aqui de dentro prontas para explodir


e explodem
sempre que a ausência de certezas me toma

disseram que era o tempo
que ainda tava curto;
que toda a mistura de sentimento
uma hora faz sentido
e você consegue decidir
se vai ou fica.

e tem também, mais uma coisa,
que repito devagar e em voz alta:
~o silêncio jamais prejudica~

soube hoje que ele apura
cada pedacinho de dor
e se transforma
em paz



~decidida e aflita
encerrou os pensamentos densos
do dia com promessas de silêncio 
e um tanto quanto de apatia~

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

04/06/2013 ~ felizanovelho

ela optou por se entregar

fica menos doloroso dessa forma

'opção'


pois, como dito, ela se entregou

botou a culpa no acaso
no inferno astral
nos dias infernais e com pouco astral
na falta de vontade de chupar o gosto dia


adentrou numa espécie de perseguição consigo mesma

a culpa era designada aos dias

a culpa só podia ser dos dias


que de repente eram compostos apenas por noites

e como ela tentava iluminar

fazia passeios imprevisíveis
desfrutava o sabor salgado da água
sentia os cheiros com mais intensidade




e depois

escurecia,


talvez pela falta de música.

decidiu aceitar a ordem natural das coisas
sabe-se la que ordem e sabe-se lá que coisas

tinha de ser natural

num é assim que se aconselha?

deve ser dessa forma que se passa o otimismo para outrem

pois bem,


aceitou com artificialidade o natural

mas, naturalmente, decidiu ler contos antigos
textos antigos
sensações nostálgicas




deitada com a noite

ouviu um piano


e percebeu que já era dia.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

(há)falta

~as faltas de ar não passaram~

de início achou que era a falta
a ausência
as inconstâncias

mas ai veio a presença ~prometida~
constante
rotineira
habitual

e o ar ainda falta
dessa vez na tua presença

quando sai um pouco do esperado
quando teu olhar se perde numa comunicação nova
quando a intensidade se confunde com costume
quando o beijo não mais inunda

quando teu olhar encontra qualquer outro
ela sente que ele também te é familiar
como o dela

que aquele encontro
também é rotineiro/constante/habitual
como o dela

que vocês não mais são "nós"

que nunca foram

ainda (há) falta
muito
ar
-na tua
presença-



quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

in(deed)

dessa vez ela não acha mais que é drama

reordena as ideias
enumera os prós
as intuições
a lua
o sol


não que ela esteja sã
faz tempo que as sinapses não ocorrem da melhor forma
o coração aperta com facilidade
as extremidades congelam quando algo sai do previsto

mas ela pensa
o tempo todo


remoe
revive
reprograma

de uns tempos pra cá ela tem tido medo de se perder
de esquecer o que importa
o que faz bem

e decidiu que seria assim (de novo)

só o que faz bem fica

sem desespero
sem dor

ninguém nunca que pode ocupar todos os sentidos

mas se eles importam
são eles que ficam

e confirma o previsto:

primeiro os sentidos
todos
ocupados
e acolhidos

depois
o resto

primeiro in
depois out