não provoque injúria a polpa.
proteja-a, ela é sensível.
e não provoque injúria a polpa.
a polpa.
a polpa
a gente?
a "gente"?
gentite crônica.
ou melhor
gentectomia
me poupe!
(remoção da 'gente' no dia-a-dia = gentectomia)
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
terça-feira, 10 de agosto de 2010
tiroteio
cidade pacata.
homem agressivo, rude, impiedoso, áspero, doloroso.
com uma carabina na mão.
ele me dói.
o seu olhar me desmancha (metaforicamente)
de fato, o que ele faz é atirar
atira para todo o vazio
tudo que é fora dele
todo o seu exterior!
e atinge, até desmanchar!
um por um...
fisicamente!
à mim..ele dispensa
pede que eu me levante, que eu me retire
que eu saia de todo aquele vazio que ele atira sem parar
não quer, por alguma razão, que eu seja seu alvo.
me pergunto.
se por piedade (ele que é tão impiedoso)
ou se por alguma razão me tornei o seu interior
algo dentro.
o que é dentro ele nao consegue atingir.
não entendi a razão
mas acatei o pedido
deixou minha carne
deixou meu corpo
são e salvo
de pé
levou tudo e todos.
deixou minha vida
minh'alma?
essa ele nao polpou
atirou, esfaqueou e sugou-a até o fim.
e nunca mais o vi.
homem agressivo, rude, impiedoso, áspero, doloroso.
com uma carabina na mão.
ele me dói.
o seu olhar me desmancha (metaforicamente)
de fato, o que ele faz é atirar
atira para todo o vazio
tudo que é fora dele
todo o seu exterior!
e atinge, até desmanchar!
um por um...
fisicamente!
à mim..ele dispensa
pede que eu me levante, que eu me retire
que eu saia de todo aquele vazio que ele atira sem parar
não quer, por alguma razão, que eu seja seu alvo.
me pergunto.
se por piedade (ele que é tão impiedoso)
ou se por alguma razão me tornei o seu interior
algo dentro.
o que é dentro ele nao consegue atingir.
não entendi a razão
mas acatei o pedido
deixou minha carne
deixou meu corpo
são e salvo
de pé
levou tudo e todos.
deixou minha vida
minh'alma?
essa ele nao polpou
atirou, esfaqueou e sugou-a até o fim.
e nunca mais o vi.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
evitando quedas.
— E você, por que desvia o olhar?
(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarrá-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)
— Ah. Porque eu sou tímida.
Rita Apoena
(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarrá-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)
— Ah. Porque eu sou tímida.
Rita Apoena
terça-feira, 4 de maio de 2010
êxi(s)to
eu não penso mais.
não persisto
não dedico
não insisto
por escolha mesmo
para não conhecer o fim
o fundo.
viver superfícies evita quedas.
e tenho arduamente evitado-as
não persisto
não dedico
não insisto
por escolha mesmo
para não conhecer o fim
o fundo.
viver superfícies evita quedas.
e tenho arduamente evitado-as
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