quarta-feira, 4 de setembro de 2013

amor(tecer)

não que ela duvidasse do amor

era a vontade que faltava

não a do abraço
do beijo
do
sexo

era o ouvido!

era apaixonada por ouvidos

e por

surdos


chegara a cogitar a hipótese de maldição, mandinga..alienação!

mas parou!

tinha medo de desistir

descobriu, depois, que precisava era deixar de drama

ninguém nunca que pode ocupar todos os sentidos



e repetia: ninguém nunca que pode ocupar todos os sentidos

sexta-feira, 12 de julho de 2013

(a)pa(r)tia


tenho medo de ter desaprendido

a entender
a suportar
a ter paciência

escapa um pouco da vontade..

a impaciência tem fluido como se fosse o natural

não há mais esforços!


nunca foi dito em tempo algum que seria fácil

a convivência diária e os votos de eternidade desesperam

desesperam porque não se pode moldar o outro
não se pode esperar do outro
não se pode exigir outras palavras
outros sons
outros assuntos

o outro vem com um manual próprio que nem mesmo ele é capaz de ler


imutável e secreto!


digo isso sem revolta
sem pretensões de mudança ou 'reinstruções' dos manuais

digo isso por querer aceitar de novo
por querer voltar a sentir
a entender
a ouvir

não sei onde foi que meus ouvidos
meus olhos

e meu coração foram parar


mas cansei da apatia

quero de volta o espírito

a visceralidade toda


por favor!

sexta-feira, 31 de maio de 2013

queima(a)ação


a dor é do tipo romântica
daquelas tão sempre criticadas
tão sempre diminuídas

tantas vezes ditas "exageradas"

é quando se perde o controle

do corpo
da cabeça

o coração padece

na verdade são os olhos ou a mente

que ou sentem muito mais
ou deixam passar de menos




a dor é física
sem metáforas

ela impede as necessidades básicas;
imobiliza


(privada de fazer o mínimo

ela sente o máximo da dor

a dor neo-romântica

exagerada, dramática, desmedida, urgente

e real (porque arde)

domingo, 26 de maio de 2013

desistir,dessentir

partindo da ideia que o tempo passa
fica mais fácil dizer que a sensibilidade segue diminuindo


termina sendo lei:

a gente se acostuma com as coisas ficando mais difíceis
não há mais susto



sentimos menos,

porque temos que sentir menos;

é evolutivo talvez






o fácil que assusta!