sexta-feira, 5 de junho de 2015

tomar(a)

ela fala do café com esperança

café é companhia

são frequentes e gostosos momentos
desafia o 'eu do futuro'
acredita nas resoluções
nos ajustes
na confiança


da cerveja fala com admiração

fala
do prazer
do espontâneo
da falta de praticidade
do subjetivo
do olhar marejado


ela disse ontem que era casada com o café

mas era louca pela cerveja


break

já fazia um tempo que não parava

as reflexões vinham entre as horas regradas de todo dia

vinha uma no almoço
a outra no meio daquela insônia de planos às 03:20
já a outra vinha com cerveja, líquido precioso para rememorações e insights;
poucas vinham com o café;

disse que era a ocupação
o estresse
a quantidade de coisas/obrigações/rotinas

disse que era a felicidade, que tava demorando pra passar


eu digo que é a inspiração
que saiu pra dar uma volta

ela tem expirado
tanto que...

fica tudo out.

e repete com serenidade: tá tudo tão bem

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

colori(r)d(i)a

ela decidiu que agora seria assim:

só o que faz bem fica
decidiu que seria simplista
decidida
menos prolixa
(prolixa com os atos
com as palavras já não era);

faz um tempo, mas percebeu os frutos da decisão agora

não como uma espécie de resgate
mas como uma novidade
novidade enche de prazer os dias, as horas


como já dito
é questão de costume

e costume é aquela coisa esquisita que
não tira a dor, mas transmite uma vontade danada de não sentir mais

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

sem lenço, silêncio

eu sinto muito
pelo não dito
por ter decidido fechar a porta
sinto não ter sido piegas
exagerada
romantica demais
sinto nao implorar tua volta
sinto ter contido os gritos de desespero
sinto ter escondido a saudade maior lá de dentro

sinto ter tido que escolher o silêncio

pra nao perder a vontade
pra nao desperdiçar meus dias
pra nao perder o amor que restou

acho que, lá no fundo, eu senti pouco
por achar que o amor é que tem que ser de muito

o resto

vira resto ou passado